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Os novos relacionamentos

Os novos relacionamentos na opinião do psicanalista.

A professora e psicanalista francesa, Elisabeth Roudinesco, diz no seu livro “A família em desordem”, lançado no Brasil em 2003, que há um desejo inato no sujeito de ter uma família devido ao instinto de sobrevivência da espécie. Roudinesco faz um retrospecto brilhante de como eram e estão se transformando as famílias na contemporaneidade, inclusive, ela chega a afirmar que a família nunca acabará, mas terá que ser repensado o seu formato.
Sigmund Freud (1856-1939) dizia que a família era constituída de heróis trágicos que, ora se atraíam, ora se agrediam e ora se matavam, mas que era indispensável à formação do sujeito para a sua plenitude. Freud cansou de dizer que gostava mais da sua família do que de ser analista, pois foi com o apoio da família que encontrou forças para construir o que hoje conhecemos como Psicanálise. Freud passou por crises financeiras terríveis no entre guerras e sua digna esposa, Martha Bernays, ficou ao seu lado motivando e acreditando que aquele sonho, visto por muitos como alucinação, um dia seria reconhecido, como foi, e hoje a Psicanálise é um importante manancial de informações para a civilização.

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Os relacionamentos na contemporaneidade passam por mudanças culturais e há evidências de que estejam ocorrendo mutações epigenéticas na civilização por conta do uso excessivo de produtos químicos na alimentação, na água e nos produtos de higiene pessoal, especialmente nas mulheres que usam tinturas no cabelo com amônia, portanto, estamos diante de um fenômeno complexo.

A pluralidade de orientações sexuais, bem como a facilidade do sexo casual, está contribuindo para que os relacionamentos na contemporaneidade não durem mais; porém, numa visão psicanalítica, poder-se-ia dizer, com alguma segurança, que o medo inconsciente no sujeito de eventualmente sofrer obstaculariza os novos vínculos afetivos.
O medo é o maior inimigo dos novos relacionamentos, mas deve ser enfrentado com ímpeto, pois ele provoca mais sofrimento no sujeito do que a carência afetiva. Freud dizia: “Precisamos amar para não adoecermos”…
Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista.